O que a falta de tempo faz: conheça o shoegaze Italiano do La Casa Al Mare

No começo de 2022, depois de 7 anos praticamente sem lançar nada, o trio de Roma La Casa Al Mare lançou um incrível single com duas músicas.

Fiquei muito impressionado e mandei um email para o baterista, Paolo Miceli, para tentar entender o porquê da inatividade. A resposta: uma infiltração! Sim, uma infiltração no estúdio do guitarrista e vocalista Alessio Pindinelli que virou uma ação judicial contra o vizinho de cima.

Dai eu me dei conta que nem precisaria ter perguntado. Estas coisas do dia-a-dia que entram na frente daquilo que gostamos  de fazer. É o mesmo calvário para atualizar este zine.

Formada em 2006, La Casa Al Mare era o projeto solo de Alessio que chamou Marco Poloni para tocar baixo e Michele Toffoli para a bateria e backing-vocals, ambos oriundos de uma banda chamada La Calle Mojada. Paolo conheceu a banda num show em 2008 em Roma um pouco antes deles terminarem. Anos mais tarde, Paolo tocando com Sea Dwellers impressionou Alessio e Marco, e o trio começou o novo projeto.

Em 2014, La Casa Al Mare estreou com dois singles: “M” e “Sunflowers” – cada um deles com duas faixas que transbordavam guitarras à la Slowdive. Na época destes primeiros lançamentos, havia a promessa de um álbum cheio para breve.

Mas o lançamento de Abril de 2015 foi apenas um mini-álbum com 7 músicas sendo 4 delas as mesmas já lançadas anteriormente. “This Astro EP” saiu nos formatos digital e CD, este um lançamento conjunto do selo Australiano Hands And Moment com os selos japoneses FileUnder e Diskunion – neste último você ainda acha cópias do CD à venda.

Depois de quase 5 anos sem um estúdio para ensaiar e gravar, Alessio finalmente ganhou a ação judicial e reformou o espaço que era o único lugar que o trio tinha para trabalhar as músicas. “Nós temos que nos conformar e lidar com a realidade das nossas vidas, não temos grana e por isso as coisas demoram”, explicou Paolo por email.

Uma das coisas que eu mais gostei no novo single, este do clipe ai em cima, é a velocidade. A bateria acelerada lembra momentos de Ride e principalmente os primeiros singles do Swervedriver. Outra comparação pertinente seriam as músicas do EP  “You Made Me Realise” do my bloody Valentine. O videoclipe com certeza é parecido.

Perguntei para o Paolo quando pretendem lançar novas músicas.”Temos um monte arquivadas que lançaremos em breve“. Defina breve. “Um luxo que não podemos nos dar“, ele respondeu.

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Rodrigo Lariú

começou a fazer o midsummer madness em 1989, deu um tempo e voltou a fanzinar. Adora documentários, história, aviação comercial antiga, trabalha em televisão e em produtoras, vascaíno praticante.