Quando a base é amizade, uma banda costuma durar. Conheça o Pkwy.

Pkwy é um quarteto de Westchester, arredores de Los Angeles. Formado por 4 amigos de infância, Ian Green, Jonathan Ricks, Nick Brumme e Jonah Sanchez, a banda lançou em Outubro seu 1º EP intitulado “Giant”. As 5 músicas misturam influências de Pavement e Weezer do começo, além de algumas coisinhas mais lentas, com teclado, tipo Yo La Tengo.

A sinceridade  do som ficou ainda mais explícita no texto que a banda enviou para contar a inspiração para uma das músicas: “Punisher”. Eu sei que soa preguiçoso dar um copy/paste no texto deles, mas ouvindo a música e lendo o texto, senti uma verdade que há tempos não sentia nos press-releases que as bandas preparam sobre si mesmas.

O texto fala sobre crescer à beira de uma cidade grande, num subúrbio pacato, sobre ter amigos, dividir momentos e montar uma banda para eternizar isso.

Fiquei tão curioso que pedi que me enviassem fotos de Westchester para tentar visualizar de onde vem a inspiração para escreverem essas músicas. Segue o texto do Pkwy, ilustrado pelas fotos de Westchester

Nós todos crescemos em Los Angeles, especificamente em um pequeno recanto do oeste chamado Westchester. Era uma área muito estranha se comparada com o resto da grande Los Angeles. Grandes partes daqui realmente parecem uma cidade pequena. Você vê os mesmos rostos o tempo todo, as velhas casas dos anos 50 que escurecem as estreitas passagens escondidas, os grandes penhascos com vistas épicas de lotes abandonados, etc.

Isso é o “centrinho” de Westchester. Muitas pequenas galerias e aquele prédio estranho à esquerda costumava ser o Teatro Loyola. Construído na década de 1940, fechou nos anos 80 e virou uma igreja ou algo assim. Hoje não é nada. É apenas uma estátua alta dedicada ao passado misterioso de Westchester.

Mas é claro que Westchester ainda é Los Angeles, basta uma pequena viagem para chegar ao centro ou a Hollywood, onde tudo é muito mais energético e progressista. Westchester era como estar em algum tipo de purgatório de cidade-subúrbio. Todas os adolescentes da minha idade sempre estavam na cidade, explorando, bebendo com suas identidades falsas ou vendo shows em locais de merda, coisas desse tipo. Depois eles sempre voltavam para sua pequena e confortável cidade pequena em Westchester.

Enfim, eu conheci Jonah quando eu tinha quatro anos de idade. Nós praticamente crescemos juntos. E então eu conheci Jon quando eu tinha 14 anos, e Nick quando eu tinha 18 anos. Nós formamos o Pkwy.

Placa da Westchester Pkwy, de onde tiramos o nome da nossa banda

“Punisher” é um nome estúpido para uma música, eu sei, mas é pessoal e nostálgico para nós. Há uma linha na letra da música que diz “jogando boliche na estrada“. Uma das minhas melhores lembranças de crescer envolveu uma bola de boliche com a inscrição “PUNISHER” em cor laranja espalhafatosa e horrível.

Quando Jonah, Jon e eu tínhamos 16 anos, levamos PUNISHER para o então subdesenvolvido lote de  Playa Vista, onde uma longa estrada de terra ficava praticamente vazia 24 horas por dia, 7 dias por semana, e fomos fazer “boliche de carro”. Jonah dirigiu seu Volvo 240 até 130 km/h naquela estrada de terra, e Jon ou eu atiramos PUNISHER pela porta e a deixamos voar. Muito estúpido e perigoso, mas ficamos menos ansiosos após.

Uma das passagens escondidas de onde você pode ver toda a cidade de Los Angeles. Os prédios em frente são novos e formam o Playa Vista, uma enorme área tech. Não muito tempo atrás, quando estávamos no colégio, esses edifícios eram pântanos, não havia nada além de terras desertas planas. Foi ai que fizemos o “boliche de carro”, com “Punisher”

Depois fomos até a casa de alguém, ficamos chapados, jogamos Super Smash Bros e ouvimos Mazzy Star ou algo assim. O habitual.

Eu acho que foi uma típica experiência suburbana, mas eu não posso deixar de ver algum tipo de peso poético em todos esses pequenos momentos com meus amigos. Na verdade, esses momentos alimentaram o que se tornaria Pkwy: uma banda cheia de melhores amigos com memórias semelhantes.

Eu sei que isso é uma coisa longa para escrever. Provavelmente muito longo. Pode parecer pretensioso escrever algo  longo assim para alguém que não nos conhece e que pode odiar a música em si. Eu entendo isso, e você está correto em pensar assim. Mas também não posso deixar de sentir que quem somos como banda vem das estórias que temos para contar e das coisas que vivemos juntos ao longo de muitos e muitos anos sendo amigos. Nossa esperança, se nada mais der certo, é que você sinta essa história em nossa música.

Rodrigo Lariú

começou a fazer o midsummer madness em 1989, deu um tempo e voltou a fanzinar. Adora documentários, história, aviação comercial antiga, trabalha em televisão e em produtoras, vascaíno praticante.