Me dá um tempo redondo e umas fritas, por favor.

Não leia sem ter visto o filme – spoiler alert dos brabos.

The Arrival” não é um filme sobre alienígenas. É um filme sobre escolhas. O que fazer quando doze naves chegam na terra? O filme brinca com a ideia de progresso & evolução – tão arraigada nas cabecinhas – abrindo espaço pra discussões que eu tenho saudades na mesa de bar da faculdade (a long time ago in a galaxy far away). Claro, umas naves monumentais lindonas chegam pilotadas por uns polvos zoados. Como assim? Eles vem ser bacanas com os humanos – esses toscos que destruíram o próprio planeta. Mano de Céu, porque raios eles estão dando um presente?

thearrivalTodo o processo para decifrar o idioma dos malucos voadores me deixou pulando na cadeira 7H. Porém, diferente de filminhos cheio de naves e explosões com um herói fodidão que salva o final, esse filme conta uma história sobre pessoas e decisões; fala sobre comunicação e linguagem, sobre interpretação. Aí a Ogra pira!

Para mim, a contribuição dos melhores filmes de sci-fi, dos livros e contos, não são novos mundos na telinha ou possibilidades infinitas de exploração espacial… E sim, tudo o que você aprende sobre si mesmo vendo aquela história com “os outros” – a treta que rola na sua cabeça – vide Ursula Le Guin e a “Mão Esquerda da Escuridão“. Por isso amei “The Arrival”. Saí de lá pensando mil coisas.

É claro que o filme tem coisinhas maniqueístas – EUA é o melhor, blablablá – sim, somos obrigados a filtrar esse discursinho lixo, já faz parte. E no final do filme, tem toda aquela overexplicação – ok, JÁ ENTENDI que a amiga vê o futuro – chega de mandar flashback… Oras, é um filme blockbuster americano, liga o filtro de ozônio.

O tempo circular não é novidade no cinema, me lembrou de um filme do Kurosawa e vários livros. Mas a possibilidade de conversar sobre isso com meu vizinho que não é fã de ficção científica já me faz dar um dez pro filme. Os clássicos estão aí no tempo redondo! No final, “The Arrival” fala sobre uma mulher que vê o futuro – no melhor estilo vejo pessoas mortas – e mesmo vendo toda a bosta que vai dar, não foge da raia e escolhe viver tudo aquilo que já sabe que vai dar errado. Um soprinho de coragem pros nossos dias – onde todos morrem de medo de errar a mão, sofrer por escolher mal ao invés de se ferrar, bater o pó da blusa levantar e ir em frente dando a cara a tapa.

PS: Momento cafona> Me acabei de chorar quando o cientistinha fala para a moça que conhecer ela foi mais maneiro que ter visto alienigenas. Foi brega, talvez desnecessário. Eu achei bonitinho e talvez não deveria comentar com vocês. Sou naif; humana trouxa. Pois é, isso não vai acontecer com a gente. (eu sei, eu vejo o futuro)

PS2: Amigo secreto, aceito uns livrinhos do cara. Beijo

Tá na dúvida se o filme é isso tudo mesmo? O Rodrigo Lariú deu a opinião dele também: leia aqui

Raquel Gariani

Ogra - paulista com pitadas cariocas exilada em Barcelona. Curte comida ogra, curte cinema e tv. Tem seus melhores momentos da vida na frente dos palcos de olhinhos fechados. Mastiga com o ouvido. (não fale comigo no meio de uma música)